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Estudo com dados próprios · Setembro 2026

Quem chega pelo ChatGPT pede contacto três vezes mais do que quem vem do Google

Quase toda a gente mede visitas. Nós medimos pedidos de contacto — formulários enviados, cliques para telefone, WhatsApp e email — e cruzámos cada um com a origem da visita. O resultado surpreendeu-nos.

A taxa de contacto, por origem

A taxa é a percentagem de visitantes que acaba por pedir contacto. São sites portugueses de sectores diferentes, medidos com analítica própria ao longo dos últimos três meses.

Directo (já conhece a marca)2,11 %
Assistentes de IA1,54 %
Pesquisa (Google, Bing)0,46 %
Redes sociais0,19 %

Face à pesquisa, quem vem de um assistente pede contacto 3,3 vezes mais. Face às redes sociais, oito vezes mais.

O tráfego directo continua a converter melhor do que tudo — como seria de esperar, é quem já conhece a marca e escreveu o endereço de propósito. O que não era de esperar é que o segundo lugar fosse dos assistentes de IA, à frente do Google.

Porque é que isto acontece

Um motor de busca devolve dez resultados e deixa a triagem para o utilizador. Um assistente faz a triagem antes: pesa, compara, descarta, e apresenta duas ou três opções já justificadas. Quem clica já leu uma recomendação.

Vê-se nas páginas visitadas. Num site de serviços, as mais vistas por quem chega do ChatGPT são, a seguir à inicial: preços, portfólio e contactos. Não é quem navega por curiosidade — é quem está a avaliar um fornecedor.

E o canal está a crescer depressa

Nos sites que acompanhamos com medição contínua desde Maio de 2026, o tráfego vindo de assistentes de IA cresceu 172 % em cinco meses. O tráfego total dos mesmos sites, no mesmo período, cresceu 12 %.

+172 %
tráfego vindo de assistentes de IA
+12 %
tráfego total dos mesmos sites

É esta a leitura que interessa. Se tudo tivesse subido, seria sazonalidade ou mais investimento em publicidade. Como o total ficou praticamente estável e só uma origem cresceu, o que mudou foi o comportamento das pessoas: mais gente chega através de um assistente em vez de um motor de busca.

Onde já pesa mais

A média esconde diferenças grandes. Nos sites onde o canal já amadureceu, esta é a fatia de todas as visitas que chega por um assistente de IA:

Alojamento local17,1 %
Bar e eventos16,4 %
Transporte turístico15,0 %
Nutrição e saúde14,6 %
Turismo rural10,3 %
Serviços B2B8,3 %
Comércio especializado7,3 %
Advogados4,6 %

Num alojamento local, um em cada seis visitantes chega hoje por um assistente de IA. Faz sentido: escolher onde dormir, onde jantar ou que passeio fazer são exactamente as perguntas que as pessoas passaram a fazer a um assistente em vez de a um motor de busca.

Cuidado com esta percentagem se tiver publicidade a correr

Enquanto uma campanha paga estiver activa, a fatia de todos os canais orgânicos desce sem que nenhum deles tenha piorado — o denominador é que aumentou. O site com mais visitas de IA de toda a nossa amostra é uma escola cuja quota parece baixíssima, precisamente porque as campanhas de matrículas lhe trazem milhares de visitas. Olhe sempre para os dois números: a fatia e a contagem.

Mas demora três meses a aparecer

Esta é a parte que ninguém avisa. Agrupando os sites pelo tempo que estão a ser medidos:

4 meses ou mais
5,9 %
2 a 4 meses
5,9 %
Menos de 2 meses
0,3 %

Um site com menos de dois meses recebe vinte vezes menos tráfego de IA do que um site com mais de dois. Depois desse ponto, estabiliza.

A razão é simples: um assistente não cita uma página que ainda não indexou, e não indexa o que acabou de nascer. Entre pôr o site em condições e ver o primeiro resultado vão dois a três meses.

Só 5 em 43 grandes sites portugueses decidiram alguma coisa

O robot que decide se um site é citado pelo ChatGPT chama-se OAI-SearchBot. Fomos ver o robots.txt de 43 grandes empresas portuguesas — bancos, telecomunicações, retalho, media e universidades. Apenas cinco o mencionam. E três dessas cinco são jornais.

A OpenAI tem três robots, não um

GPTBot

Recolhe conteúdo para treinar o modelo. Não decide citações.

OAI-SearchBot

Constrói o índice de pesquisa do ChatGPT. É este que decide se aparece citado.

ChatGPT-User

Vai buscar a página no momento em que alguém pergunta.

É comum ver sites a bloquear o GPTBot, convencidos de que protegem conteúdo, e a deixar o OAI-SearchBot ao acaso. São decisões independentes, com consequências opostas.

E mesmo assim o acesso está aberto

Verificámos o passo seguinte, e é aqui que a história muda: os 33 sites que não mencionam o robot não o estão a bloquear. Caem na regra genérica, que deixa entrar.

Se o acesso está aberto e mesmo assim não são citados, o problema não é o robots.txt. É o que está do outro lado.

Isto desfaz o conselho mais repetido sobre o tema. Acrescentar três linhas a um ficheiro não põe ninguém nas respostas do ChatGPT — na maioria dos casos, essas linhas nem eram necessárias. O que decide é se o conteúdo é citável: respostas directas, números concretos, factos que se aguentam fora do contexto da página.

«Isto vem substituir o Google?»

Não, e quem disser o contrário está a vender-lhe alguma coisa. A pesquisa continua a trazer a maior parte das visitas e vai continuar durante anos.

A diferença é que hoje o mesmo trabalho técnico alimenta dois destinos em vez de um — e o segundo traz gente que pede contacto três vezes mais. Não é uma escolha entre canais: é o mesmo investimento a render em dois sítios.

O que fazer, por esta ordem

O que consegue fazer hoje, sozinho

Veja o seu robots.txt

Escreva oseusite.pt/robots.txt na barra do browser e procure OAI-SearchBot. Leva dez segundos e diz-lhe se alguma vez alguém pensou no assunto.

Separe o tráfego de IA na analítica

Sem isso, aparece diluído em «referral» e ninguém repara que já vale 6 % ou 17 % das visitas.

O que já não é trabalho de dez minutos

Tornar as páginas citáveis

Um assistente cita frases que se aguentam sozinhas — respostas directas, números concretos, factos verificáveis. Não cita texto vago sobre «soluções à medida». Reescrever um site inteiro com esse critério é trabalho de semanas.

Tratar da base técnica

Dados estruturados, indexação limpa, canónicos, sitemap, velocidade em telemóvel. É o mesmo trabalho que serve o Google — só que agora serve dois destinos. E é onde a maioria dos sites falha sem saber.

Os dois primeiros pontos diagnosticam. Os dois últimos resolvem — e é aí que quase toda a gente pára, porque exigem tempo e conhecimento técnico que não se improvisa.

E lembre-se do prazo que os números mostram: o que fizer hoje só dá resultado daqui a três meses. Quem adiar até ao Verão, adia o retorno para 2028.

Quer saber se o seu site é citado pelos assistentes?

O nosso Pack de Otimização Total trata dos quatro pontos acima em 24 horas, sem o site sair do ar: auditoria técnica, indexação, velocidade, dados estruturados, títulos e descrições, sitemap e robots.txt revistos — incluindo os acessos dos robots de IA. No fim recebe um relatório com o antes e o depois. 190 € + IVA, pagamento único, sem mensalidade.

Metodologia. Tráfego e pedidos de contacto: analítica self-hosted (Plausible) em sites portugueses que gerimos. A série mensal usa apenas os sites com medição ininterrupta de Maio a Setembro de 2026 — o mesmo conjunto em todos os meses. Sites de escolas excluídos da série: em Setembro as matrículas multiplicam-lhes o tráfego e isso mediria a época do ano, não o canal. Robots: robots.txt de 43 sites portugueses de grande dimensão, consultados a 28 de Setembro de 2026.

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